Cena:
- Vamos para a praça Tahrir? (professora)
- Para quê? (eu)
- Para a revolução! (resposta obvia).
Minha cara de perplexidade contrasta com a expressão de animação da minha interlocutora, que participou dos momentos mais tensos da revolução. E lá fomos nós, meio sem saber o que esperar, para a famosa praça Tahrir. No caminho o movimento nas ruas parecia maior do que o normal e havia muito mais estrangeiros do que costumamos ver. Chegando na praça, a cena e o clima eram muito diferentes do que a palavra revolução poderia me fazer imaginar: palco montado, muitas pessoas lá em cima (crianças inclusive) e um moço com um violão e um microfone cantava musicas de um estilo bem pop (coisa que eu não tinha ouvido até então pois aqui se ouve muita musica árabe de um estilo que me parece mais tradicional), o primeiro comentário ante a cena por parte da Jaque foi: nossa parece a Bahia! rs . Na rua em frente ao palco uma multidão formada por homens, mulheres, crianças de colo, jovens, velhos, jornalistas, vendedores ambulantes, enfim, todo tipo de gente, seguravam bandeiras e acompanhavam em coro as musicas que, pelo pouco que eu pude entender, celebravam a revolução e relembravam os desejos populares ainda não atendidos. Tal multidão contrastava com o cordão humano ao fundo formado pela policia para impedir a entrada na praça em si (estávamos todos na rua). Ao show de música pop se seguiu um de rap e por ultimo dervixes rodopiantes coloriram o palco, o clima era, em geral, de grande ecumenismo. Por falar em ecumenismo, ao final dos shows três curiosas figuras desfilaram juntas ao redor da praça. Depois fui informada que eram chefes islâmicos e cristãos demonstrando em conjunto o apoio às reivindicações da revolução.
Durante os shows o clima nacionalista era gritante, todos seguravam bandeiras, usavam pulseiras com as cores nacionais ou traziam pinturas no rosto ou nos braços, até mesmo a Jaque teve o braço pintado! (confira no facebook o video rs). Enfim, sem dúvida, para nós que nunca presenciamos mudanças radicais no nosso país, foi uma experiência muito enriquecedora e apesar de as agitações do começo do ano terem, num primeiro momento ameaçado nossa viagem, hoje nos sentimos até sortudas de podermos presenciar momentos tão bonitos como aquele na praça Tahrir.

Que mocinhas revolucionarias vocês!
ResponderExcluirGostei muito da parte em que você comenta sobre ecumenismo... como é a cena cristã ai?
Nunca pensei que diria algo do tipo, mas ai vai:
"Viva la revolucion!"
A grande maioria é muçulmana e
ResponderExcluirainda não tivemos a oportunidade
de conversar com muitos cristão, mas
eles parecem ser considerados parcela importante
da população e não presenciei cenas de desrespeito até agora.
O que eu posso dizer que já vi é que ao lado
de toda igreja há uma mesquita, o que é bem
engraçado....
Seu depoimento é uma lição p/ nós que enxergamos o povo árabe pela visão distorcida da mídia.
ResponderExcluirParabéns!!!
Adorei o depoimento e fico morrendo de inveja por não estar mais aí. Aproveitem meninas pois passa rápido. 3la fekra, eh akhbar el 3arabi bt3oko?
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